sábado, 7 de abril de 2012

A retirada dos crucifixos e o estado laico

Texto do amigo Caio Fonseca.


A retirada dos crucifixos e o Estado laico


Tem havido discussão calorosa sobre se a presença dos crucifixos em repartições públicas atentaria contra a neutralidade religiosa do Estado laico, que por definição não deveria se proclamar a favor de nenhuma religião. Embora o argumento, a princípio, pareça claro e óbvio, cumpre notar que o debate a ser feito abrange muito mais que o espectro religioso, e enseja considerações no ramo da Cultura.

No entanto, há a tendência daqueles que se posicionam a favor da retirada dos crucifixos criar uma polarização do debate, colocando aqueles que defendem a retirada dos crucifixos como pessoas esclarecidas e os que são contra como religiosos obscuros e intolerantes, a favor de uma teocracia perversa. Muito ocorre também que em debates deste tipo se apele para o lado psicológico. Defensores do ateísmo enquadram os que discordam deles como pessoas de extremada fé religiosa, que  acreditam em noções metafísicas e religiosas que não dependem da metodologia científica empírica racional para serem verificadas, incapazes portanto de debaterem racionalmente e objetivamente. Curiosamente, os ateus não costumam criticar religião com base em argumentos, apesar de se considerarem como senhores da lógica. Na verdade zombam e fazem caricatura dos religiosos, e tudo o mais que for possível para parecerem superiores a eles, da mesma forma como fazia o orgulhoso filósofo francês *Voltaire, predecessor e referência da maior parte dos ateus, há mais de 300 anos atrás.

Tais polarizações e estereótipos apenas dificultam a visualização da questão de forma a encontrar uma posição verdadeiramente ponderada e racional a respeito do tema em pauta. Primeiramente, é preciso situar o tema e notar que, como foi dito, o debate é mais cultural do que metafísico ou religioso. O crucifixo sempre esteve nas repartições, mesmo depois do Estado ter sido decretado laico, e evidentemente não é objeto de culto nas mesmas. O Estado laico o deixaria ali, simplesmente pelo fato de que sempre esteve. Já é consagrado na prática. No entanto, a remoção do crucifixo significaria a proclamação de um valor ateu, uma proclamação anti-religiosa ao invés de simplesmente não-religiosa, e isto iria contra a neutralidade do Estado laico. Tal expediente abriria perigoso procedente, abrindo caminho para que o Estado laico se torne um Estado ateu, com dogmas ateus, justamente como era na terrível União Soviética, China, e demais países que aderiram ao comunismo, em que havia extermínio de milhões de religiosos e destruição de templos.  

Além disso, há questões religiosas, das mais fundamentais, que se transferiram para a Cultura e estão por demais oficializadas pelo costume popular, que de tão arraigadas ninguém lembra de questioná-las, mesmo os ateus. Muitos ateus criticam a existência de feriados religiosos, mas basta citar que folgar no domingo é um costume católico, e muitos ateus não se sentem ofendidos de não trabalharem aos domingos. Este é só um aspecto simples de todo o abacaxi que está nas mãos dos ateus, e que eles se dispuseram a descascar, pois nosso próprio calendário é derivado da Igreja Católica.

Quando estive na faculdade, foi me dito que para elaborar meu Trabalho de Conclusão de Curso, era preciso que eu "achasse" um problema, mesmo que não estivesse vendo um. O neo-ateísmo é isso: um grupo de pessoas que tenta encontrar problemas onde não existiam, com fim de promoverem uma idéia, embora esta não seja uma idéia nova em si. De fato, o neo-ateísmo nada mais é que uma ilusão reciclada, ou seja, o velho sonho fracassado e equivocado de acabar com todo o mal do mundo por meio da limitação da religião. Ainda assim, parece que falta o mínimo de estudo e preparo para se lançar em empreitada de tão grande vulto. Ateus desconhecem completamente a lista de contribuições da religião para o nosso cotidiano, que são quase intermináveis. Como mostra Thomas Woods no livro, "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental", intelectuais católicos permitiram o desenvolvimento da filosofia e da ciência modernas, a Universidade, a arquitetura e as artes plásticas, deram base para os conceitos básicos da economia moderna, ofereceram contribuições do Direito canônico ao Direito, criaram os hospitais, a previdência, e acima de tudo, foram precursores na defesa dos direitos universais da pessoa humana.

Os ateus, no geral, sequer sabem que todo esse edifício de conhecimento que nos guia até hoje tem base religiosa, e preferem pensar que põem toda uma tradição em jogo quando mostram sua grande rebeldia em zombar vídeos de pastores tão oportunistas quanto eles próprios, que da mesma forma ganham adeptos por meio da ingenuidade de alguns.

Diante do exposto, fica a pergunta para reflexão: será que os ateus, em nome da defesa de pretenso conhecimento contra o obscurantismo religioso, esperam revogar todo este progresso intelectual alçado pela religião em nome de suas mentalidades esclarecidas? Esperemos que não.

* Voltaire não era, de fato, ateu. Mas seu estilo irônico e ácido nas críticas que fazia a Igreja Católica e às superstições, serve de referência estilística para a militância dos neo-ateus, que o tem, erradamente, na conta de um colega militante.

quarta-feira, 14 de março de 2012

O Ateísmo militante, a tolerância e os crucifixos.

‎"Prezado Reinaldo, apenas para aumentar o coro dos ateus com algum bom senso e conhecimento histórico, afirmo que estou deste mesmo lado seu e do Diogo Mainardi nesta batalha. Sou ateu sim, graças a Deus! Mas nem por isso vou cuspir na tradição cristã, indissociável da cultura ocidental. Esse ataque aos crucifixos em locais públicos é uma bobagem de ateu militante (ou seja, crente de uma nova seita) na melhor das hipóteses, ou uma deliberada e perigosa campanha esquerdista contra certos valores nobres aos liberais e conservadores de boa estirpe, na mais provável das hipóteses. Continue a boa luta! Abraços, Rodrigo Constantino."


A mensagem acima foi enviada pelo economista e blogueiro Rodrigo Constantino ao blog do Reinaldo Azevedo, tratando do óbvio: a tradição judaico-cristã é indissociável da cultura ocidental. Portanto, não há que se estranhar a presença de símbolos cristãos em locais públicos, bem como em uma organização como a Cruz Vermelha, fundada por um calvinista suíço. Mas se implicam com uma cruz num tribunal ou numa escola, porque tolera-la numa instituição que goza da proteção da comunidade internacional? Acaso o mundo é cristão? Não haverá ateus, umbandistas, budistas, animistas e agnósticos que se sentirão ofendidos e oprimidos pelo símbolo cristão.Acho que alegar que um crucifixo ofende a ateus e crentes de outras religiões não corresponde aos fatos. Foi um judeu que fez a defesa da permanência dos crucifixos na Corte Européia de Direitos Humanos, revertendo uma decisão judicial unânime, que a princípio tinha determinado o banimento dos crucifixos - quem entrou com a ação? um ateu militante. O placar dos juízes foi revertido de 17 x 0 para 15 x 2, favorável à permanência da cruz.

Agora uma ONG está querendo banir Dante Alighieri das escolas italianas, pois o consideram "islamofóbico", dentre outras coisas. O grande problema é não reconhecer que a motivação desses movimentos anti-crucifixos é o combate à cultura ocidental. A estratégia materialista histórica, a guerra cultura quel está perfeitamente descrita na obra de Antonio Gramsci: a revolução cultura tem de se instalar nas escolas, tribunais, igrejas, jornais a fim de esvaziar essas instituições de seu sentido, pondo no lugar a mitologia marxista. Teoria da conspiração? E só ler Gramsci e observar o modus operandi das esquerdas mundo afora e no Brasil. Tudo aparelham, tudo instrumentalizam. Não existe cultura ateística ou científica. Como bem falou Konrad Lorenz, uma vez destruída uma tradição, o que têm para pôr no lugar? Na lógica do materialismo dialético, o que vai surgir não importa, pois será sempre melhor do que o que se tem. Do caos, virá o novo, e o novo sempre será bom. Em que se baseiam para acreditar nisso? Nos dogmas do marxismo e na crença no processo dialético. Como se pode ver, ninguém vive sem religião, nem que seja uma religião secular. Ninguém vive sem uma cultura, base para o soerguimento de valores e concepções, nem que seja a cultura baseada na mitologia marxista. A hostilidade em relação ao ocidente é autodestrutiva. Coisas do processo dialético, dirão os materialistas históricos. Não apenas normal, mas desejável e fundamental para a inauguração de um novo tempo, de uma nova cultura, de um novo homem. A consequência, como sempre, será o velho totalitarismo.

Os profetas do mundo novo logo começarão a mudar os nomes dos meses, instituirão um novo calendário, uma nova "cultura", tudo em nome da "deusa razão". É a mesma velha história, a mesma novela do século XVIII se repetindo, pelos mesmos motivos: vontade de poder, pretensão, delírio.

Começam a tentar matar a tradição e a velha herança mudando o calendário, os nomes dos meses. Depois estão a cortar cabeças em nome da tolerância (sobre esse magnífico capítulo da história da "razão", pouco se fala).

Voltaire, de um tempo um pouquinho anterior à "revolução da razão", dizem, gostava de gritar: "Esmagai a infame!", referindo-se à Igreja Católica. Mas estava longe de ser um ateu. Um dos livros que escreveu chama-se O Ateu e o Sábio. São 3 os personagens principais: um frade católico, pintado como supersticioso e intolerante, um ateu que mergulha numa vida desregrada e amoral, e um pastor anglicano (o sábio da história). Eu daria meu braço direito para ver Voltaire a discorrer sobre essa cisão entre fé e razão estabelecida pelos ateus militantes no século XXI.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Condenação

Hoje publiquei uma postagem falando de Paulo Henrique Amorim. Pois não é que hoje ele foi condenado num processo por prática de racismo movido pelo jornalista da rede Globo Heraldo Pereira?

Ontem eu publiquei no Face um questionamento: Como diabos um canalha bajulador como Paulo Henrique Amorim consegue ter leitores e ser levado a sério? Parte da resposta é que ele fala o que a militância gosta de ouvir, mente conforme o gosto da clientela lulista (O mesmo se pode dizer de Luís Nassif).

Na ótica da militância esquerdista e daqueles que foram seduzidos por sua retórica sem fundamento, verdade e coerência são palavras e nada mais do que isso, só palavras. O que existe, na ótica esquerdista radical é apenas a luta política, o embate pelo poder e nada mais.

Não que não seja possível ser de esquerda fundamentado em argumentos e concepções sobre economia, justiça, política, etc. Porém, a esquerda antidemocrática petista não se fundamenta em tais coisas. A esse tipo de esquerda só interessa a luta política e a revolução,consequência de seu DNA marxista.

No ponto de vista totalitário dessa gente é normal arregimentar jornalistas, pagar blogueiros, contratar vigaristas para fabricar falsos dossiês. A calúnia e a mentira são armas corriqueiras. Eles tem a luta contra a imprensa livre como uma de suas estratégias fundamentais.

Jornais, revistas e jornalistas podem manifestar apoio político a determinado candidato. Jornais, revistas e jornalistas podem ter ideologia. O que jornais, revistas, blogueiros e jornalistas não podem fazer é mentir, caluniar, distorcer, falsificar só para ajudar os partidos ou candidatos com os quais simpatizam. Uma coisa é ter ideologia e fundamenta-la com argumentos. Outra é atacar de forma gratuita e leviana um adversário ideológico mentindo e distorcendo a realidade. Mas isso que parece o normal para qualquer pessoa de bom senso não o é para a militância, a quem a verdade não interessa, só o poder e a luta política.

Uma consequência dessa infame condição é medir os outros a partir de si mesmos. A militância acredita, com base em sua experiência própria, que o "outro lado", os adversários, procedem da mesma forma. Dizendo claramente: a verdade não importa para nenhum dos lados, o que importa é a disputa pelo poder. Só que as coisas não são assim. Existem milhões de não militantes a quem a luta política partidária não interessa. A esses interessa saber da verdade e conhecer os fatos. E há não-militantes, dentre os quais alguns jornalistas, que têm convicções ideológicas como qualquer ser humano pensante. Eles a defendem baseado em argumentos, provas, acontecimentos, fatos históricos, experiência de vida, ou seja lá o que for. Esse apego e apreço às suas convicções um militante a soldo de internet jamais entenderá. Ele descobrirá um blog ou artigo que critica o governo e já imaginará: "golpista a serviço do reacionarismo" ou "ah, mais um membro do PIG (partido da imprensa golpista)".

Um jornalista militante mede os outros por si mesmo. Acha que todos são vendidos, cooptáveis, cínicos tais como ele é. É assim que ele vê o mundo, onde só o que importa é a luta pelo poder e a propaganda pró-governo. A verdade e a decência que vão para o inferno.

O jornalismo governista se esforça para criar uma realidade onde os partidários do governo são tidos como indivíduos puros lutando contra reacionários golpistas de direita desumanos, vis e infames. Quem falar mal de Lula é porque faz parte das "forças do atraso que mandam no Brasil há 500 anos" (com quem estão José Sarney, Jader Barbalho e Fernando Collor mesmo?). E foi por querer reforçar essa mentira que o vil, o canalha do Paulo Henrique Amorim se deu mal. Acabou de ser condenado na justiça por racismo num processo movido pelo jornalista Heraldo Pereira da Rede Globo. É que Amorim carregou demais nas tintas na construção da sua realidade ficcional a ser vendida como um produto para a militância insana. No mundo da militância, no reino das trevas onde vivem os vermes e bagres comedores de esgoto, o mundo pode ser resumido da seguinte forma: Lula e o PT são os redentores do Brasil. Aqueles que se opõem a Lula e o PT são golpistas reacionários. Existe uma vasta quantidade de veículos de comunicação tais como jornais, redes de tv, rádio e sites a serviço do golpismo anti governo-redentor. Assim, todo aquele jornalista que fale ou aja de uma forma que prejudique a imaculada imagem de são Lula de Garanhuns é um empregadinho vagabundo das forças do atraso (paralelamente, Paulo Henrique seria apenas um empregadinho das forças progressistas, ou seja, um funcionário do "Bem").

Como é de praxe, Paulo Henrique Amorim reforçou essa falsa realidade quando se referiu ao jornalista Heraldo Pereira numa postagem de seu blog: Pereira é um só um "negro de alma branca" a serviço do senhor de engenho e coronel Gilmar Mendes do STF, foi o que quis passar no artigo (Também, só pudera, olha só, o Heraldo trabalha na Globo! E se trabalha lá só pode ser um "negro de alma branca", não é mesmo?).

Na ótica da militância, tá tudo certo. Paulo Henrique está com a razão. Só que parece que ainda há juízes no Brasil. E Paulo Henrique foi condenado. Achei a pena branda, mas espero que os juízes e a justiça estejam atentos a vagabundos do quilate de Amorim e que os processos se acumulem até deixar esses amigos do rei, mestres da covardia, só de cuecas. (a propósito, PHA perdeu um processo que movia contra Diogo Mainardi).

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5628505-EI306,00-Jornalista+tera+que+se+retratar+por+declaracao+considerada+racista.html

A falácia dos mutirões e campanhas

Amigos, é comum no Brasil essa conversa de mutirão disso, mutirão daquilo. Também é moda esse negócio de campanha contra fome, contra o fumo, contra a AIDS, dia nacional de combate a Dengue e outras bobagens para onde escorre o dinheiro público. Mas já nos perguntamos se isso dá resultado? No caso da dengue, é evidente que não. E será mesmo que a tentativa de criar um hábito nas pessoas de caçar garrafas, recipientes e pneus é mesmo uma boa estratégia de combate aos surtos da doença? Dá resultado? Funciona? É o que eu queria saber, pois a impressão que tenho é de que essa conversa de "não deixe acumular água" não tem dado muito certo como estratégia de combate à doença. No entanto, todos os ano vem a campanha, distribuição de folders, musiquinha, desenho animado com o mosquito e... mais um surto. Não seria mais didático colocar, ao invés das musiquinhas, animações e clips, os resultados de décadas de campanha contra os potinhos, pneus e garrafinhas? Algo do tipo:

"Desde que a campanha seguiu esse rumo de orientar as pessoas sobre recipientes e acúmulo de água que constatamos uma redução de 'x' por cento nos casos e nos surtos de dengue. É por causa dessas orientações que o Brasil está vencendo a dengue! Não deixe, portanto, de continuar virando garrafas de cabeça para baixo e levar pneus velhos para os lixões, pois só assim venceremos o mosquito!"

Qual o resultado dessa estratégia de combate à dengue? Deu certo? Funcionou? Com algumas décadas de vigência, creio que já temos dados o suficiente para saber se a coisa deu certo ou não. Só que nenhuma autoridade envolvida parece querer divulgar o bom resultado de seu trabalho e das campanhas contra garrafas e água parada.

E o que dizer da grande campanha que iria mudar o país, o "programa" Fome Zero? Era apenas um slogan. E como foi fácil fazer os brasileiros acreditarem nesse slogan petista de "combate à fome". Como todo mundo deve lembrar, o tal Fome Zero morreu de inanição. Sumiu quase que de repente, tal como aconteceu com os fiscais do Sarney. Mesmo que houvesse alguma base para acreditar nesse "combate à fome", a verdade é que país nenhum se constrói sobre campanhas e mutirões. Para se ter um país é preciso ter planejamento, competência, honestidade, metas, avalições e trabalho sério. É preciso diagnosticar os problemas, analisar soluções e estratégias, atacar as causas dos problemas e avaliar os resultados.

Campanhas só empolgam durante breve período. Mutirões são paliativos, pois geralmente são usados para resolver os problemas gerados por uma ou mais causas que permanecem incólumes, inatacáveis. Governos medíocres geralmente apelam à "cidadania", ao "patriotismo", à "solidariedade" para engendrar campanhas e mutirões cujos resultados serão duvidosos.

Ainda no governo FHC houve aquele problema com a falta de energia. Uma vez divulgado pelo governo a perspectiva de um provável racionamento, no outro dia colegas de trabalho já comentavam sobre onde comprar lâmpadas fluorescentes de baixo consumo por conta de um racionamento de energia que nunca chegou a Maceió. Não houve nenhum questionamento sobre a responsabilidade do governo a respeito daquela situação. Por que faltava energia? Por que não choveu? Por que o governo não investiu? Que nada, já estava todo mundo comprando lâmpada econômica para um racionamento que nunca chegou por aqui.

Hoje, ao ler a Folha, fiquei sabendo que desde 2007 rolava um mutirão para resolver crimes de homicídios. A inciativa foi do governo federal. Bem, isso demonstra qual o grau de centralização administrativa do Brasil. Não sei se sou eu, apenas, que vejo nisso algo quase surreal: Brasília se envolvendo na investigação de cada homicídio não esclarecido em cada viela, terreno baldio, matagal de cada cidadezinha desse país. Qual o resultado do mutirão? Dos 143 mil inquéritos, em apenas 3% deles o culpado pelo crime foi encontrado. Desses 143 mil, apenas 4.652 foram solucionados. Dizendo claramente: o mutirão fracassou (o que já era esperado). E fracassará qualquer país que perca tempo e energia com mutirões, ao invés de tratar das causas dos problemas.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/27308-so-3-dos-inqueritos-acham-culpados-para-assassinatos.shtml

sábado, 21 de janeiro de 2012

Álbum da infâmia: boçalidade

Um alagoano se destacou no clássico Real Madrid x Barcelona nesta semana. Pepe, zagueiro do Madrid, atropelou Lionel Messi e, não satisfeito, deu-lhe um pisão enquanto o atacante argentino estava caído.



A atitude de Pepe é o puro retrato do indivíduo invejoso, frustrado, complexado e bruto feito uma anta. Não, meus caros, a atitude deste senhor nada tem de viril ou que remeta à tal "macheza" nordestina. É apenas a expressão da ignorância, da boçalidade que esse indivíduo traz na alma. Seu desrespeito com um colega de profissão, sua covardia, refletem a mediocridade do rapaz. Lá está ele, diante de um dos melhores jogadores do mundo, tendo o privilégio de vestir uma das camisas mais importantes do futebol mundial e o que ele faz? Agride e, uma vez advertido pelo árbitro, como reage? Rindo, fingindo que está indignado.


Pepe é o exemplo do brasileiro frustrado metido a "esperto" e "malandro". Mas a tal malandragem é apenas um artifício onde este esconde sua mediocridade, sua vileza, sua falta de vergonha, de critério e de referências. Muitos não suportam a excelência, têm de pisar nela, destruí-la. Odeiam o talento alheio. Este pisão está longe de ser apenas "coisa de jogo".

Se a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude, a insolência, o desrespeito e a agressão são as armas que o medíocre invejoso usa para destruir o talento alheio . Mas vamos dar um desconto ao rapaz: sendo um poço de ignorância, não tem mesmo como ele encontrar outro modo de lidar com seus complexos e frustrações. Talvez com punição severa, com uma boa suspensão e multa, o rapaz aprenda alguma coisa.

Bem, peço ao leitor que dê uma conferida no vídeo abaixo. É sobre um cidadão chamado Márcio Nunes. Não conhece? Pois é, Márcio Nunes é desses tipos que não respeitam o talento, o ser humano, nem o colega de trabalho. Ficou famoso. Veja o vídeo para que saibas o motivo da fama de Márcio Nunes.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Farsas futebolísticas

O Brasil é o país do futebol. O Brasil é o país da farsa. Brasileiro gosta de se iludir, de se enganar. Vaidoso, ufanista, gosta de criar ídolos de pés de barro para exorcizar seu complexo de vira-lata (ao contrário do que dizem, este complexo está mais forte do que nunca).

Quem me conhece sabe que desde que o tal Robinho "Nascimento" apareceu, eu sempre o classifiquei como um engodo, uma forçada de barra, uma farsa. Mas lá foi o Robson jogar no Real Madrid, levado por Vanderley Luxemburgo. Chegou lá com ar de super-craque, não se tratava apenas de um bom jogador (ou mesmo razoável), mas do herdeiro da coroa de Pelé. O próprio rei gostava de forçar a comparação exagerada. No primeiro treino, os companheiros de time aguardavam ansiosos pela honra de jogar com o príncipe da Vila Belmiro. Lembro que Raul, sem desmerecer a habilidade do garoto Robinho, disse, "ele é habilidoso, mas eu sou mais rápido do que ele". Rápida também foi a passagem de Robinho pelo time galáctico. Seguiu depois para Inglaterra, para liderar o Manchester City numa de suas piores temporadas. Voltou para o Santos, hoje está no Milan, graças ao brasileiro Leonardo. O eterno garoto Robinho hoje já não aparece tanto na mídia. Esqueceram-se do herdeiro do rei Pelé, Robson foi destronado por outra farsa, que atende pelo nome de Neymar.

A primeira vez que vi Neymar jogando foi contra o CSA das Alagoas, no Trapichão. Na época, ele tinha uns 16 ou 17 anos. Não jogou nada. Simplesmente não entrou em campo. No jogo de volta, pela Copa do Brasil, o glorioso CSA eliminaria o Santos do "novo Pelé" na Vila Belmiro.

Posso errar, mas nesse momento aposto todas as minhas fichas, da mesma forma como fiz com Robinho: Neymar não é e nem nunca será um craque, alguém que deixe sua marca no futebol mundial, como deixaram Pelé, Maradona, Zico, Romário e Zidane.

(E aí, capitão Nascimento, o que o senhor acha? "Robinho e Neymar? Jamais serão!!!".)

O vídeo abaixo é  para que recordemos o que é um craque, coisa rara no futebol brasileiro de hoje.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Álbum da infâmia: Viva Rio premia traficante de armas.




Acima, o senhor William de Oliveira, preso na semana passada após ser flagrado num vídeo em que negociava a venda de um fuzil russo ao traficante "Nem" da Rocinha, recebendo do patético movimento Viva Rio um prêmio em reconhecimento por seu empenho em desarmar a comunidade. O prêmio foi entregue pelo presidente de outra Ong que quer desarmar o Brasil, o senhor Denis Mizne, da Sou da Paz (ou Sou Otário).

Uma dessas duas Ongs também entregou um prêmio à PM de Alagoas, há uns 8 ou 9 anos, o prêmio "Polícia Cidadã". Um ano depois, a criminalidade e a taxa de homicídios aqui no estado começaram a aumentar. Hoje, Maceió é a capital com maior número de homicídios do Brasil.

Sobre desobediência às leis (numa situação em que obedecê-las seria sinal de loucura) e desarmamento, vale trazer aqui as palavras do filósofo iluminista Helvétius, lá do século XVIII:

" ... e daí concluo que as leis, feitas para a felicidade de todos, não seriam observadas por ninguém, se os magistrados não estivessem armados do poder necessário para garantir sua execução. Sem esse poder, as leis, violadas pelo maior número, seriam, com justiça, infringidas por cada particular, visto que, tendo as leis apenas a utilidade pública como fundamento, tão logo essas leis se tornem inúteis, com uma infração geral, então são nulas e deixam de ser leis (...). É por isso que, se, para a segurança das grandes estradas, fosse proibido por aí passar com armas e se, por falta de guarda, os grandes caminhos estivessem infestados de ladrões, essa lei não teria o seu objetivo cumprido; afirmo, por conseguinte, que um homem poderia não somente somente por aí viajar armado e violar essa convenção ou essa lei, sem injustiça, mas também que não poderia mesmo observá-la sem loucura". (Helvétius, 1748).